Presidente da AHOSP destaca a importância do SUS em artigo para a Gazeta de S. Paulo

O Sistema Único de Saúde é uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Criado pela Constituição de 1988, nasceu do princípio de que saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Poucos países no mundo têm um sistema tão amplo, gratuito e universal. Mesmo com falhas e desafios diários, o SUS é o alicerce que sustenta a vida de milhões de brasileiros. Pensar no país sem ele é imaginar o caos absoluto, um cenário de exclusão e abandono.

Sem o SUS, a população mais pobre seria deixada à própria sorte. O atendimento médico viraria privilégio de poucos. Emergências deixariam de ser socorridas, partos aconteceriam sem segurança, doenças infecciosas voltariam a se espalhar e remédios essenciais ficariam fora do alcance da maioria. O que hoje é direito se transformaria em mercadoria.

O SUS vai muito além do consultório e do hospital. É o SAMU que chega em minutos para salvar uma vida, a enfermeira da unidade básica que aplica vacinas, o agente que combate o mosquito da dengue, o hospital público que realiza transplantes e cirurgias complexas que seriam impagáveis na rede privada. Sem essa estrutura, o Brasil se tornaria um país inviável do ponto de vista humano e sanitário.

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As campanhas de vacinação mostram bem a força do sistema. Graças ao Programa Nacional de Imunizações, doenças como pólio, sarampo e rubéola foram controladas. Se o SUS não existisse, esses vírus voltariam a circular livremente, ameaçando toda a população. Só nos últimos dois anos, foram distribuídas mais de 600 milhões de doses de vacinas, um esforço gigantesco que nenhuma rede privada conseguiria repetir.

Em situações de desastre, como enchentes ou deslizamentos, é o SUS quem chega primeiro. Médicos, enfermeiros e equipes de emergência se mobilizam rapidamente, levando atendimento, vacinas e medicamentos. Sem essa coordenação nacional, o socorro demoraria e muitas vidas se perderiam.

O trabalho do SUS também está presente na vigilância sanitária e na qualidade da água que chega às casas. Sem ele, haveria surtos de diarreia, hepatite e outras doenças transmitidas por alimentos e água contaminada. Até o simples ato de beber água da torneira poderia se tornar perigoso.

O impacto econômico seria igualmente devastador. Pequenos negócios, restaurantes e feiras livres fechariam por falta de fiscalização sanitária, e o comércio local sofreria. O SUS garante padrões mínimos de segurança alimentar e movimenta a economia, gerando empregos e sustentando cadeias produtivas em todo o país — da indústria farmacêutica à formação de profissionais de saúde.

Outro pilar essencial é a educação médica. São os hospitais universitários, dentro do SUS, que formam a maior parte dos médicos brasileiros. Sem eles, a medicina seria ainda mais elitista e inacessível, restrita a quem pode pagar por instituições privadas.

E o SUS não aparece apenas em momentos de urgência. Ele está no planejamento familiar, no pré-natal, nas campanhas de prevenção ao câncer, no tratamento de doenças crônicas, na distribuição de medicamentos e até na orientação sobre hábitos saudáveis. Em quase todos os momentos da vida do brasileiro, há o toque invisível dessa rede pública.

É claro que o SUS tem problemas. As filas, a falta de estrutura e a carência de profissionais são realidades conhecidas. Mas é preciso reconhecer a dimensão do que ele enfrenta: um sistema que atende mais de 200 milhões de pessoas todos os dias, sem distinção. É natural que existam falhas, o espantoso é que, apesar delas, o SUS funcione e salve vidas em todo o país.

Sem ele, a desigualdade se tornaria insuportável. Transplantes, cirurgias e tratamentos oncológicos seriam privilégio de poucos. A ausência de políticas públicas de saúde dividiria o país entre quem pode pagar e quem simplesmente morreria esperando.

Defender o SUS é defender o Brasil que acredita na solidariedade, na empatia e na justiça social. É entender que saúde não é mercadoria, é direito.

O SUS representa o compromisso coletivo de um país que decidiu cuidar de todos, e não apenas de alguns.

Se o SUS deixasse de existir, o Brasil mergulharia no caos. Teríamos mais doenças, mais mortes e muito mais desigualdade. Por isso, em tempos de desinformação e descaso, precisamos reafirmar seu valor e lutar pelo seu fortalecimento. Porque sem o SUS, não há saúde, e sem saúde, não há nação.


Veja o texto na íntegra no site: https://www.gazetasp.com.br/colunista/analise-e-opiniao/sem-o-sus-o-brasil-entra-em-colapso/1166327/

 

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