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GAZETA DE S.PAULO | Carnaval exige atenção: excesso de álcool, energéticos e drogas pode trazer riscos graves à saúde

A orientação médica para aproveitar o Carnaval com segurança envolve medidas simples | Nelson Antoine/UOL/Folhapress

O Carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano, marcado por celebração, encontros e longas jornadas de festa. No entanto, do ponto de vista médico, também é uma época em que aumentam significativamente os atendimentos relacionados ao excesso de bebidas alcoólicas, consumo de energéticos, uso de drogas, desidratação e comportamentos de risco. A combinação de calor intenso, exposição prolongada ao sol, alimentação irregular, poucas horas de sono e ingestão elevada de álcool — muitas vezes associada a energéticos — pode trazer consequências importantes para o organismo.

O álcool é uma substância depressora do sistema nervoso central. Em pequenas quantidades pode provocar sensação de euforia e relaxamento, mas o consumo excessivo compromete reflexos, julgamento, coordenação motora e eleva o risco de acidentes, quedas, brigas e decisões impulsivas. Quando associado a energéticos, o perigo aumenta. Isso porque a cafeína e outros estimulantes presentes nessas bebidas mascaram a sensação de embriaguez, fazendo com que a pessoa acredite estar mais alerta do que realmente está. Na prática, o organismo continua intoxicado pelo álcool, mas a percepção de limite fica prejudicada, favorecendo o consumo ainda maior e aumentando o risco de intoxicação alcoólica, arritmias cardíacas e comportamentos de risco.

Do ponto de vista clínico, o exagero pode levar à intoxicação alcoólica aguda, vômitos com risco de aspiração pulmonar, desidratação severa, queda de pressão, desmaios e até coma alcoólico. A associação com energéticos também pode provocar taquicardia, aumento da pressão arterial, ansiedade intensa e alterações no ritmo cardíaco, especialmente em pessoas com predisposição ou doenças cardiovasculares.

O uso de drogas ilícitas ou substâncias estimulantes durante festas representa um risco ainda mais grave. Essas substâncias podem elevar perigosamente a frequência cardíaca, provocar hipertermia (elevação da temperatura corporal), convulsões, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A mistura de álcool, energéticos e drogas potencializa efeitos tóxicos e dificulta a percepção dos próprios limites, aumentando o risco de overdose. Também não são raros quadros de crises de ansiedade, surtos psicóticos e descompensação de transtornos psiquiátricos.

Outro fator importante é a exposição prolongada ao sol e às multidões. A insolação pode causar dor de cabeça intensa, tontura, náusea e confusão mental. Já os ambientes com grande aglomeração facilitam a transmissão de viroses respiratórias e gastrointestinais. Além disso, o consumo de álcool, energéticos e drogas reduz a capacidade de julgamento e pode aumentar comportamentos de risco, incluindo relações sexuais sem proteção, elevando a possibilidade de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

A orientação médica para aproveitar o Carnaval com segurança envolve medidas simples, mas essenciais: manter hidratação constante, priorizando água; evitar misturar álcool com energéticos; não beber em jejum; fazer refeições leves e equilibradas; não usar drogas; utilizar protetor solar; respeitar os limites do corpo; não dirigir após consumir álcool; e sempre usar preservativo. Também é fundamental reconhecer sinais de alerta como desmaios, dor no peito, falta de ar, convulsões ou confusão mental, situações que exigem atendimento médico imediato.

O Carnaval é um momento legítimo de alegria e celebração, mas a saúde não entra em pausa. A combinação de álcool, energéticos e outras substâncias pode transformar dias de festa em consequências graves.

Artigo originalmente postado em: https://www.gazetasp.com.br/saude/carnaval-exige-atencao-excesso-de-alcool-energeticos-e-drogas-pode/1172566/

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