A Associação dos Hospitais do Estado de São Paulo (AHOSP), entidade filiada à FBH (Federação Brasileira de Hospitais), lançou oficialmente, durante a Hospitalar 2026, a Rede Paulista de Qualidade (RPQ), iniciativa inédita que reúne hospitais, acreditadoras nacionais e internacionais, especialistas e instituições em um ecossistema colaborativo voltado ao fortalecimento da gestão, da qualidade assistencial e da sustentabilidade na saúde.
Com o tema “Integração, Inovação e Sustentabilidade na Saúde”, o encontro reuniu lideranças hospitalares, gestores e especialistas para discutir os principais desafios do setor e os caminhos para uma assistência mais eficiente, segura e integrada.
Na abertura das atividades, o presidente da AHOSP, Anis Mitri, destacou a necessidade de ampliar o acesso à qualidade para instituições de diferentes portes.
“Não podemos aceitar que a qualidade seja um privilégio restrito apenas às grandes instituições”, afirmou.
Segundo ele, o setor vive um momento de profunda transformação, marcado por desafios relacionados à sustentabilidade financeira, modernização tecnológica, escassez de profissionais especializados e segurança do paciente.
“A saúde vive um momento de profunda transformação. Os desafios são cada vez maiores: pressão financeira, aumento da demanda assistencial, necessidade de modernização tecnológica e exigências crescentes relacionadas à qualidade assistencial”, ressaltou.
Durante sua fala, Mitri também reforçou o papel institucional da entidade na construção de políticas públicas para o setor e anunciou a articulação da criação de uma Frente Parlamentar da Saúde junto à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
“A saúde precisa ser tratada como prioridade estratégica para o desenvolvimento do Estado”, disse.
Na sequência, o vice-presidente da AHOSP, Edson Soares de Almeida, apresentou oficialmente a Rede Paulista de Qualidade, destacando que o projeto nasce a partir da escuta das demandas reais enfrentadas pelos hospitais.
“A Rede Paulista de Qualidade nasce como um ecossistema colaborativo, permanente e estruturado voltado ao fortalecimento da gestão e da assistência em saúde”, afirmou.
Segundo ele, a iniciativa foi criada especialmente para apoiar hospitais e serviços de saúde de pequeno e médio porte, promovendo acesso estruturado à qualificação e certificação.
“Mais do que um selo, mais do que uma certificação isolada, a RPQ representa uma jornada contínua de evolução”, explicou.
A RPQ foi estruturada em cinco dimensões estratégicas: governança e liderança; qualidade assistencial e segurança do paciente; pessoas, cultura organizacional e desenvolvimento de competências; inovação, inteligência de dados e transformação digital; e sustentabilidade econômico-financeira.
Outro destaque apresentado foi a democratização do acesso à qualidade. De acordo com Edson Soares, os programas de certificação serão gratuitos para os associados da AHOSP.
“Estamos criando condições reais para ampliar o acesso à excelência assistencial”, pontuou.
Debates
O evento contou ainda com o painel “Construindo a Qualidade de Forma Integrada”, mediado pelo vice-presidente da AHOSP, reunindo especialistas de instituições como AACI, IBES, IQG, Numbers e Planisa. Os participantes debateram temas relacionados à governança, segurança do paciente, cultura organizacional, inovação tecnológica e sustentabilidade financeira.
Vivian Giudice, CEO do Grupo IBES, fez uma apresentação sobre qualidade assistencial e segurança do paciente. Ela lembrou que a acreditação vai muito além de um selo: ela representa uma cultura contínua de qualidade, segurança e melhoria dos processos assistenciais. “Quando colocamos o paciente no centro do cuidado e trabalhamos com protocolos bem definidos, conseguimos promover uma assistência mais segura, eficiente e sustentável para toda a instituição.”
O gestor de relacionamento do IQG (Instituto Qualisa de Gestão), Michel Matos, destacou que “a acreditação é importante, ajuda, melhora, otimiza, mas para que tudo isso se sustente, nós precisamos de fato desenvolver uma capacidade coletiva de coordenação, adaptação e aprendizagem nesses ambientes complexos e instáveis”, disse. “A inovação tem um ponto importante e ela vai apoiar esse processo dos sistemas de gestão de qualidade”, completou.
Ana Carla Restituti, CEO da AACI Brasil, ressaltou que a Rede Paulista de Qualidade nasce para fortalecer hospitais, proteger pacientes e apoiar a sustentabilidade da saúde no Estado de São Paulo. “É um projeto que temos que levar para o país todo”, enfatizou.
Luis Azevedo, da Numb3rs, trouxe pontos sobre a transformação digital. “O futuro da saúde é orientado por dados, sendo as tendências o Analytics predito, a Inteligência Artificial, os indicadores automatizados, as metas baseadas em evidências, o monitoramento em tempo real, além do benchmarking contínuo”, listou.
Na última apresentação, o diretor de Serviços da Planisa, Marcelo Carnielo, explanou sobre sustentabilidade e gestão de custos, com foco no centro cirúrgico, e apresentou um dado alarmante: um levantamento da Planisa apontou um custo de ociosidade desses espaços na ordem de R$ 3,6 bilhões. “É do centro cirúrgico que vem o resultado que cobre outras áreas dos hospitais. É preciso cuidar desse espaço com governança clínica e informações de qualidade para mudar esse tipo de situação”.
Encerrando o painel, o vice-presidente da AHOSP reforçou o caráter coletivo da iniciativa. “A Rede Paulista de Qualidade nasce como um compromisso permanente da AHOSP com a excelência, com a segurança do paciente e com a sustentabilidade do setor”, declarou. “A transformação acontece quando trabalhamos em rede”, concluiu.